A relevância se tornou o novo legado.

Há alguns anos, em 2018, eu escrevi um artigo (leia aqui) onde falava do movimento que acreditava e que ainda acredito, sobre a nova era do consumo e sobre a tendência do novo luxo ser centrado em viver experiências memoráveis de forma exclusiva e simples, seria o menos “esbanjar para aparecer” e mais “viver o simples e com propósito de forma exclusiva.”

Revisitando esse texto com um novo olhar, saindo do mercado hoteleiro e contextualizando essas tendências de consumo podemos dizer que a pandemia transformou a forma como vivemos e trabalhamos de maneira que dificilmente imaginávamos no início de 2020.

É antagônico pensar em luxo em uma época em que milhões estão lutando para sobreviver, mas em meio às incertezas e incógnitas trazidas pelo COVID-19, uma coisa é clara: a pandemia mudou permanentemente, aprofundou e solidificou os comportamentos do consumidor, criando imperativos para todas as marcas. O COVID-19 está agindo como um acelerador do inevitável. A relevância se tornou o novo legado, experiências atemporais e significativas fortalecem expressões de identidades individuais, ao invés de focar na marca, o foco deve ser em organizações e processos mais transparentes, envolventes e centradas no cliente.

Ser Essencial

Os clientes estão buscando menos quantidade e mais consumo essencial, as histórias que as marcas devem contar, portanto, devem ser baseadas na autenticidade e no viver com mais consciência, com ênfase em experiências guiadas por valor, criando oportunidades de engajamento com consumidores fazendo uma contribuição significativa para suas vidas e, ao mesmo tempo, impulsionando mudanças positivas no mundo.

Dado o contexto sem precedentes e as incertezas, decidimos destacar um conjunto de tendências que moldarão a indústria a partir de 2021:

  • Iniciativas reativas imediatas – as marcas darão resposta às necessidades mais urgentes de seus clientes, renovando seu mix de produtos e entregando serviços em alinhamento com a nova realidade, participando de ações para ajudar e elevar as comunidades e suas necessidades.
  • Comfy e Cosy – a mudança de comportamento do consumidor fez com que as marcas se adequassem melhor aos novos estilos de vida de ficar em casa. Ascensão do loungewear e a casualização da moda, produtos que remetem a aconchego, conforto e simplicidade.
  • Experiências Digitais Wow –À medida que os consumidores mais jovens se tornam o maior segmento de compradores, é uma necessidade para as marcas entender como se relacionar e conquistar essa audiência. Os nativos digitais se envolvem continuamente com o conteúdo online e esperam experiências digitais altamente sofisticadas.
  • O “you-niverse” – Não importa o canal digital, as marcas de luxo precisarão oferecer experiências online de primeira classe que pareçam exclusivas e sob medida. Personal shoppers, visualizações privadas, serviços mais personalizados serão o universo pessoal dos consumidores
  • O paradoxo da privacidade – os consumidores pedirão cada vez mais às marcas que demonstrem benefícios tangíveis e significativos do compartilhamento de dados – esperando mais personalização e vantagens em troca de renunciar a algum nível de privacidade.
  • Inovações interativas: AR, VR, streaming e muito mais: as marcas têm experimentado inovações interativas, novas abordagens para compras online e envolvimento do consumidor em mundos participativos e envolventes.
  • Produtos com propósito: as marcas terão que não apenas exibir valores fortes, mas também oferecer ações intencionais e construir um senso de comunidade unida para ganhar a confiança de consumidores exigentes e conscientes e estabelecer conexões mais profundas.
  • Sustentabilidade é inegociável – Os consumidores continuam a se tornar mais conscientes ambiental e socialmente, portanto tornar-se mais diversificado, inclusivo, sustentáveis ​​e ético, é inegociável. As crescentes preocupações ambientais, sociais e de governança colocarão os esforços sustentáveis sob maior escrutínio – reforçando a necessidade de as marcas se tornarem mais confiáveis, fornecendo informações mais transparentes sobre seus processos e produtos.
  • A venda da revenda – A economia circular está “on”, a valorização da revenda, do “vintage” e coleções passadas não apenas no virtual, mas também no físico, com inserção de “store in store” ou até mesmo pontos físicos dedicados a coleções passadas e revendas.
  • A supervalorização do produto local – A pandemia trouxe de volta um forte senso de comunidade local com aumento do interesse e preferência dos consumidores por produtos feitos localmente.
  • O bem-estar é a nova riqueza- adaptar produtos e serviços para acomodar a crescente necessidades de viver melhor, de maneira autêntica e capacitando as pessoas a aderirem a um estilo de vida mais saudável e simplificado.

Less is more!

Oferecer valor e ter a capacidade inerente de fazer conexões emocionais atemporais na mente das pessoas é a tendência. Um consumo mais silencioso com valores mais íntimos e relações mais relevantes. Envolver -se genuinamente com seu público focar em sua essência interior para criar um significado autêntico, que seja culturalmente relevante e com alma é o que realmente importa.

O próximo ano exigirá que as marcas evoluam e se adaptem de acordo com as mudanças na paisagem social. As marcas precisarão revisar as premissas básicas aprender novos vocabulários e inovar. Apesar de toda a incerteza desse novo normal, as marcas que identificam oportunidades onde os outros apenas veem desafios, não apenas sobreviverão, mas também prosperarão, porque, no final, o único ponto seguro para as marcas é permanecer relevante e alinhado com as expectativas de seus consumidores.

 

Ana Paula Lubianca

Head de Conceito e Jornada

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