O Varejo já devia ter mudado!

A maior franquia hoje chama-se “aluga-se

O que está acontecendo?
Com certeza o mundo mudou. A forma de se comunicar e comprar mudou. O advento da internet não tem mais do que 30 anos. O smartphone tem 12 anos no Brasil e o uso foi acelerado durante a quarentena.

Com 3,5 bilhões de smartphones o mundo se torna uma grande loja…sem competição possível. Estes números nos mostram que o caminho não tem volta.

Em 2019, 9300 lojas fecharam nos EUA. Acredita-se que em 2020, este número será maior. O fenômeno não é brasileiro, não é crise. É mundial e comportamental.

Estamos ansiosos com tanta informação e insatisfeitos.

O consumidor quer comprar o que quer, quando quer e como quer! Ele não precisa mais vir à nossa loja, ele precisa querer vir à nossa loja e sentir-se seguro e acolhido.

Mas, como fazer isto?

Entendendo através da Neurociência como é o cérebro do nosso consumidor.

As modificações culturais, sociais e tecnológicas foram muito rápidas.
Mas o homem ainda está no centro de tudo. Esta perspectiva não pode ser perdida.

É necessário ter empatia, calçar os sapatos do outro, se colocar na posição do outro para entendermos melhor o seu comportamento.

A neurociência nos ajuda a compreender as emoções e sentimentos facilitando este entendimento. A lógica do consumo nos ajuda a entendermos sentimentos e desejos subconscientes que movem nossas decisões de compra.

Então temos um novo consumidor amedrontado, conectado, cheio de informações com um cérebro não preparado para isto.

 

O que o cérebro quer…é a paz dos ancestrais

Nesta sociedade super acelerada, valores também estão mudando rapidamente:

Não queremos mais grandes carros, casas imensas e roupas de grife. O novo luxo é ter tempo, estar com quem amamos. Viajar, ter calma e usufruir experiências encantadoras.

Isto não é novidade para a humanidade.

Os nossos antepassados caçadores e coletores formaram a base do que nos torna felizes hoje. Quanto mais interações com amigos próximos uma pessoa tem, maior será a sua felicidade. O cérebro humano evoluiu para atender as demandas de nossos ancestrais. A densidade populacional nas savanas era imensamente diferente.

A adaptação às condições de vida de hoje não está completa. Nossos ancestrais viviam em bandos de 150 pessoas. Contatos com amigos e aliados era fundamental para a sobrevivência da espécie.

A nossa biologia não acompanhou o ritmo das mudanças.

Com toda esta aceleração – como gravar eventos, locais, marcas? Temos que criar memórias, através dos sentidos e das emoções!

80% da nossa percepção se dá através da visão. Mas o olfato é o sentido que afeta diretamente nosso sistema límbico das emoções. Quem não se lembra do cheiro de bolo da casa da sua avó ou do pescocinho do bebê?

Todo este conhecimento deve ser usado para construir relações confiáveis e seguras. Para gerar pertencimento e bem estar.

Vamos usar este conhecimento para criar o futuro, projetando ambientes mais de acordo com tudo que aprendemos. Vamos tornar a arquitetura amigável e não só uma caixa para atender funções e exaltar o ego do arquiteto.

E então vem esta tal de Biofilia citada por Erich Fromm em 1964 estudada pela primeira vez por Edward Wilson nos anos 80.

Amor à vida
Necessidade de estar em contato com a natureza.
A urbanização dos últimos 200 anos acelerou o nosso adoecer.
O design biofílico quer trazer a natureza para dentro dos espaços construídos

90% do nosso tempo passamos em ambientes fechados. Percebemos agora o engano da arquitetura em atender às necessidades do homem nesta urbanização desenfreada.

Os grandes arquitetos do nosso tempo, embora não tivessem acesso a este conhecimento já tinham a percepção de que a natureza é essencial.

Necessitamos de luz, sombra, vegetação, água, vento, texturas, curvas, cores. Já existem estudos científicos sobre os benefícios do design biofílico em ambientes de saúde, ensino e saúde. O design biofílico é uma nova fronteira no design sustentável, não é apenas centrado no carbono, é centrado no ser humano.

Criar um ambiente saudável e humano primeiro, é o caminho para ter pessoas mais felizes visitando o local por períodos mais longos e com maior frequência, segurança e bem estar.

Durante muito tempo o homem se achou o rei da natureza. Temos que entender que somos parte da natureza e que quando praticamos isto nosso bem estar é evidente.

A responsabilidade ao projetar é imensa porque estamos moldando comportamentos e sentimentos. Não é somente uma visão mercantilista de vender mais. É uma missão de entender a responsabilidade ao projetar escolas, hospitais, ambientes de trabalho, urbanizar cidades!

A maior lição é que para exercer a biofilia…temos que exercer o amor!

 

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Referências bibliográficas
Estudo sobre a importância da iluminação natural em redes de varejo. Aumento de até 40% nas vendas, através de iluminação zenital.
HESCHONG MAHONE GROUP, Skylighting and Retail Sales: An investigation into the relationship between daylighting and human performance, 1999. Disponível em: https://www.pge.com/includes/docs/pdfs/shared/edusafety/training/pec/daylight/RetailCondensed820.pdf

Reúne diversos estudos sobre a biofilia no varejo, mostrando a importância, por exemplo, da ventilação natural, da vegetação e de materiais naturais nestes ambientes.
TERRAPIN BRIGHT GREEN. The Economics of Biophilia, 2012. Disponível em: https://www.terrapinbrightgreen.com/report/economics-of-biophilia

Segundo o estudo: “Saúde, Bem-Estar e Produtividade no Varejo – O impacto das construções verdes nas pessoas e no lucro”, publicado pelo World Green Building Council confirma que ambientes naturais ​​levam a ganhos de produtividade, melhores métricas de varejo e pessoas mais felizes.
WORLD GREEN BUILDING COUNCIL. Health, wellbeing and productivity in retail: the impact of green buildings on people and profit, 2016. Disponível em: https://www.worldgbc.org/sites/default/files/bp-resource/5_Ways_to_Use_the_Retail_Metrics_Framework_Guidance_Note.pdf

Arlene Lubianca

Arquiteta

Bia Rafaelli

Arquiteta

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